É feriado, povo carioca! 23 de abril é Dia de São Jorge!

Se não estivéssemos “quarentenados”, teríamos acordado ao som da Alvorada de São Jorge em muitos bairros cariocas.

Na alvorada do dia vinte e três de abril, devotos de São Jorge, filhos de Ogum, costumam soltar fogos de artifício como forma de iniciar as homenagens ao querido santo e orixá, cuja devoção é um dos maiores exemplos do sincretismo existente no Brasil entre religiões de matrizes africanas e o cristianismo.

Santo e orixá, sim. Democrático no sentido de ser aclamado até pelos mais ausentes em matéria de devoção a fé cristã.

“Ele vem de Aruanda, ele vence demanda de gente que faz” (Zeca Pagodinho)

“Ele é leão do império; Cavaleiro do cavalo imaculado; Príncipe de toda a África” (Jorge Ben Jor)

“Jorge, nosso povo brasileiro / Tem alma de guerreiro / Não cansa de lutar / Enfrentando um dragão por dia / Na sua companhia / A gente chega lá”  (Seu Jorge)


Na fé cristã, São Jorge é um nobre cavaleiro nascido na Capadócia. Conquistou destaque em campos de batalha e foi defensor da fé na Igreja até sob tortura, fato que impressionou muitas pessoas na época e que se converteram ao cristianismo após vislumbrarem tamanha devoção.

Aliado para “vencer demandas”, sua batalha foi travada, também, dentro da própria Igreja, que por muito tempo tentou renega-lo enquanto santo. A situação melhorou quando foi reconhecido como santo “de máxima importância” por João Paulo II, em 2000.

Em sua oração, estamos vestidos com as roupas e as armas de Jorge, para que inimigos não nos alcancem, não nos toquem, não nos vejam e não nos façam mal — nem em pensamento!


Na Umbanda, Ogum, como é chamado, é o guardião da agricultura, abridor de caminhos, regente da caça, da tecnologia e protetor de artesãos e ferreiros.

Algumas histórias contam que Ogum deu o segredo do ferro aos homens e, desde então, cavaleiros e ferreiros passaram a se proteger e desenvolver armas para suas batalhas com o material; agricultores passaram a realizar colheitas mais rapidamente e sem tanto sacrifício corporal, sendo essa a mesma razão de sua atribuição à tecnologia.

Como diz a canção de Seu Jorge, talvez em razão da atribuição à característica de “guerreiro”, seja São Jorge tão querido e requisitado pelo povo brasileiro, composto por uma maioria de pessoas que “mata um leão por dia” para sobreviver.

Sua força, garra e coragem servem como inspiração aos milhares que

lhe prestam homenagem neste dia.

A esperança e a fé são capazes de transpor barreiras materiais na busca pelo progresso individual e coletivo.

Nos resta pedir a São Jorge que a fase que estamos vivendo seja capaz de nos fazer refletir, a partir de diferentes aspectos, sobre os porquês de tantas batalhas, para que vençamos a demanda por uma sociedade mais justa e igualitária.

“E com um sorriso, derrubaremos uma tropa inteira” – Juçara Marçal

Nunca é tarde para lembrar que o RioAntigo respeita a liberdade e a diversidade religiosa do nosso povo.

*Texto escrito por Jennifer Vidal, redatora do Rio Antigo.

** Jennifer Vidal Ferreira é carioca que já passou por todas as zonas da Cidade Maravilhosa. Advogada por formação, iniciou seu ativismo feminista na vivência no carnaval de rua do Rio de Janeiro, onde ocupa a posição de surdista em alguns blocos. É apaixonada por gente, estudante de proteção de dados e Direitos Humanos, e engajada na luta pela igualdade de gênero. É redatora do Rio Antigo.


GALERIA DE FOTOS – FESTA DE SÃO JORGE EM 2019 (Jornal Extra)

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